Novo golpe invade contas microsoft sem roubar senha: entenda a armadilha do código de dispositivo e como se proteger

Um novo golpe digital está circulando no Brasil e chamou a atenção de especialistas em segurança: cibercriminosos estão conseguindo invadir contas de trabalho da Microsoft sem precisar roubar senhas. A tática, identificada pela Kaspersky, engana o funcionário para que ele mesmo autorize, sem perceber, a conexão de um dispositivo desconhecido à própria conta corporativa.

RESUMO DA NOTÍCIA
Kaspersky identifica fraude que engana funcionários para autorizarem acesso de criminosos a e-mails, SharePoint e Teams; veja como funciona e as medidas de proteção.
ÍNDICE

A fraude começa com um e-mail de phishing com assunto urgente, como um orçamento pendente ou um pedido de compra. A mensagem traz um PDF ou um link hospedado em um site legítimo, usado apenas como intermediário para redirecionar a vítima a uma página falsa criada pelos criminosos. Nessa página, aparece um aviso de que o documento está protegido e que a visualização exige um código de validação.

Como o golpe funciona passo a passo

É nesse momento que ocorre a fraude. Enquanto a vítima acessa a página falsa, o cibercriminoso inicia, em segundo plano, uma solicitação legítima de acesso à conta corporativa da Microsoft, simulando a configuração de um novo dispositivo. A Microsoft gera um código de autorização para essa solicitação, e é exatamente esse código que a página falsa exibe para o usuário. Ao digitar o número na página oficial de login da Microsoft, a vítima autoriza sem saber a vinculação de um dispositivo estranho à conta.

O que os criminosos acessam com o golpe

Com o acesso liberado, os golpistas passam a ter controle de e-mails, arquivos na nuvem do SharePoint e chats de trabalho do Teams, sem nunca terem digitado a senha da vítima. O pesquisador líder de segurança da Kaspersky, Fabio Marenghi, explica que o grande perigo desta campanha é explorar a boa-fé do usuário por meio de um recurso de conveniência muito comum nos escritórios, usado para validar o acesso a aplicativos de trabalho por código.

Como se proteger do golpe

Qualquer pedido de autorização para conectar um novo dispositivo deve ser recusado quando não partiu de uma tentativa de login feita pelo próprio usuário naquele momento. Documentos legítimos costumam pedir senhas já conhecidas pelo destinatário, como o CPF, e não códigos digitados em páginas externas. Também vale desconfiar de e-mails com assunto urgente que pedem qualquer tipo de validação, e verificar o remetente antes de abrir arquivos.

O que as empresas devem fazer

As empresas também precisam agir. A Kaspersky recomenda configurar alertas para identificar logins realizados por código de dispositivo e tentativas de acesso fora do padrão, além de adotar soluções de segurança capazes de filtrar mensagens maliciosas e bloquear links de phishing antes que cheguem aos funcionários. Treinamentos periódicos de conscientização também ajudam a reduzir o risco, já que o elo mais fraco da corrente costuma ser o erro humano.

O cenário de golpes no Brasil

O cenário de ameaças no Brasil segue em alta, com mais de 34 bilhões de tentativas de golpes digitais registradas por ano, segundo estudo da Global Anti-Scam Alliance, apresentado em São Paulo. Cada brasileiro recebe, em média, 201 abordagens golpistas por ano, e 81% dos adultos já tiveram contato com algum tipo de fraude. O telefone é o principal canal usado pelos golpistas, seguido por aplicativos de mensagens e e-mail.

O que fazer se você cair na armadilha

Se você suspeitar que autorizou um dispositivo desconhecido, o primeiro passo é revogar o acesso imediatamente nas configurações de segurança da conta Microsoft, deslogar todos os dispositivos e trocar a senha. Em seguida, avise o setor de TI da empresa e, se houver indício de fraude, registre um boletim de ocorrência. Quanto mais rápido o acesso for revogado, menor o risco de os criminosos usarem os dados obtidos.

Perguntas frequentes

Como funciona o novo golpe da Microsoft no Brasil?

O golpe engana o funcionário para que ele digite, no site oficial da Microsoft, um código que autoriza a conexão de um novo dispositivo. Ao fazer isso sem perceber, a pessoa libera o acesso dos golpistas a e-mails, arquivos e chats corporativos.

O golpe rouba a senha da vítima?

Não. O diferencial do golpe é justamente não precisar da senha: o criminoso usa um código de autorização legítimo da Microsoft que a própria vítima digita, sem saber que está vinculando um dispositivo desconhecido à conta.

Quais contas são afetadas pelo golpe?

O golpe atinge contas corporativas da Microsoft, dando acesso a e-mails, arquivos na nuvem do SharePoint e chats de trabalho do Teams. Qualquer empresa que use o ecossistema Microsoft está exposta.

Como evitar cair no golpe do código de dispositivo?

Recuse qualquer pedido de autorização para conectar um novo dispositivo que não partiu de um login feito por você naquele momento, desconfie de e-mails urgentes com pedidos de validação e verifique o remetente antes de abrir arquivos.

O que fazer se eu autorizei um dispositivo desconhecido?

Revogue o acesso imediatamente nas configurações de segurança da conta Microsoft, deslogue todos os dispositivos, troque a senha, avise o setor de TI e registre um boletim de ocorrência se houver indício de fraude.

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