O YouTube e o Tribunal Superior Eleitoral devem formalizar nos próximos dias uma parceria inédita contra os deepfakes nas eleições de 2026. Pelo acordo, anunciado nesta terça-feira, 11 de agosto, qualquer usuário poderá cadastrar o próprio rosto na plataforma e receber um alerta sempre que a imagem dele aparecer em vídeos gerados por inteligência artificial. A partir da notificação, será possível solicitar a remoção do conteúdo.
A ferramenta funciona de forma parecida com o sistema de detecção de similaridades que o YouTube já usa para criadores de conteúdo. A pessoa se cadastra, envia uma verificação de identidade e, se o sistema encontrar vídeos com IA reproduzindo as feições dela, recebe o aviso. O pedido de exclusão passa por análise da plataforma, que avalia critérios como realismo, uso em paródias e interesse público.
O objetivo da Justiça Eleitoral é evitar que vídeos falsos enganem os eleitores. Os ministros do TSE estão preocupados com o uso indiscriminado desse tipo de material para desequilibrar a disputa. A corte já firmou memorandos de entendimento com Google, Meta, TikTok e ElevenLabs, que permite a candidatos pedirem o bloqueio da clonagem da própria voz em áudios sintéticos.
A resolução que regula a propaganda eleitoral já proíbe o uso de conteúdo sintético para prejudicar ou favorecer candidaturas. O que os ministros discutem agora é ampliar a proibição: tornar ilegal o deepfake mesmo quando o material não foi criado para enganar o eleitor. O tema ganhou força depois do vídeo gerado por IA em que o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece apoiando a candidatura do filho Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro, e deve ser debatido em sessão na quinta-feira.
Para o eleitor comum, a recomendação é redobrar a atenção durante a campanha. Desconfie de vídeos muito polêmicos em que pessoas públicas aparecem em situações inesperadas, confira se a notícia está em veículos confiáveis e verifique se o conteúdo tem selo de aviso sobre uso de inteligência artificial. O YouTube exige que vídeos realistas gerados por IA sejam rotulados como conteúdo sintético.
A parceria também ajuda jornalistas e candidatos, que passam a ter uma via direta para contestar montagens. A ferramenta já está disponível desde o ano passado para criadores parceiros e vem sendo ampliada gradualmente para todos os usuários brasileiros, com previsão de expansão total ainda em 2026, conforme informou a plataforma.
A Nova Top Net explica: a nova regra do TSE com o YouTube representa um avanço importante contra a desinformação eleitoral, mas especialistas lembram que a remoção não será automática e que a melhor defesa continua sendo o senso crítico do eleitor. Em ano de eleição, vídeo chocante não é prova de nada: desconfie, verifique e só compartilhe o que for confirmado por fontes confiáveis.
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