Uma fonte criada por dois publicitários brasileiros está chamando a atenção do mundo ao prometer proteger o trabalho de autores contra o uso não autorizado de conteúdo no treinamento de inteligência artificial. O ShieldFont troca palavras no código-fonte das páginas para confundir os robôs que coletam textos na internet, enquanto os leitores humanos continuam enxergando o conteúdo original normalmente.
RESUMO DA NOTÍCIA
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Uma fonte criada por publicitários brasileiros troca palavras no código-fonte das páginas para confundir robôs de IA, enquanto leitores continuam vendo o texto original. Entenda como o ShieldFont funciona e como autores podem usá-lo para proteger o próprio conteúdo.
O projeto foi lançado em julho e entrou nos destaques do GitHub, além de ganhar cobertura de veículos internacionais como Ars Technica e Fast Company. A ferramenta nasceu da experiência dos criadores com os chamados scrapers, robôs que copiam conteúdo de sites sem autorização para abastecer bancos de dados de modelos de IA.
O ShieldFont, que significa escudo de fonte, é um software de código aberto que protege textos publicados na web. A ideia central é simples: o leitor humano vê a palavra original na tela, mas o robô que copia o código-fonte recebe uma versão diferente, com palavras trocadas por outras da mesma classe gramatical. Um texto que fala sobre montanhas, por exemplo, pode aparecer para o robô como um texto sobre casas, mantendo a frase gramaticalmente correta, mas com significado completamente alterado.
A mágica acontece nos bastidores da página. Quando o texto é publicado, as palavras são substituídas no código-fonte por termos escolhidos de um dicionário com quase doze mil palavras. Depois, uma fonte especial desfaz a troca no momento em que o navegador desenha a página para o leitor. O resultado é que quem usa a internet normalmente não percebe diferença, mas os robôs que leem apenas o código coletam um texto envenenado, cheio de informações falsas.
O ShieldFont foi criado pelos publicitários brasileiros Gabriel Abrucio e Isaque Seneda, da S&A Studio, em parceria com a fundição tipográfica dinamarquesa Playtype, responsável pela fonte Optik. Baseados em Amsterdã, na Holanda, os dois atuam em projetos criativos para marcas na Europa, na América do Norte e no Brasil. A experiência veio de um problema real: o site do estúdio recebia acessos gigantescos de robôs que copiavam o portfólio sem permissão.
Nos testes divulgados pelos criadores, o ShieldFont fez com que mais de 90% das páginas que seriam aceitas pelos filtros de qualidade dos robôs fossem rejeitadas. Do conteúdo restante que passou pelos filtros, cerca de 19,4% das palavras carregavam significado falso. No total, a ferramenta substitui em média 24,5% das palavras de uma página, incluindo quase 46% das chamadas palavras de conteúdo, como substantivos, verbos e adjetivos.
O ShieldFont faz parte de um movimento crescente de ferramentas que dificultam o uso não autorizado de conteúdo. O Nightshade e o Glaze já fazem algo parecido com imagens, envenenando os dados usados por geradores de arte. O estudo Poisoned Typeface, publicado pela LayerX Security em março deste ano, mostrou que onze assistentes de IA testados leram o texto escondido de uma página em vez do texto visível, confirmando a brecha que o ShieldFont usa a favor de autores e criadores.
A ferramenta é gratuita e pode ser aplicada em blogs, sites estáticos e sistemas de gerenciamento de conteúdo. Os criadores recomendam que o texto seja embaralhado no servidor, antes de chegar ao navegador, para evitar que o dicionário de trocas viaje junto com a página. Por enquanto, o ShieldFont está disponível para textos em inglês e francês, mas o projeto é aberto e aceita contribuições de quem quiser adaptar o dicionário para outros idiomas, incluindo o português.
É um software de código aberto criado por publicitários brasileiros que troca palavras no código-fonte de páginas para confundir robôs de IA, enquanto os leitores humanos continuam vendo o texto original.
Como o ShieldFont funciona?
As palavras são substituídas no código por outras da mesma classe gramatical e uma fonte especial desfaz a troca quando o navegador desenha a página para o leitor. Os robôs coletam a versão envenenada.
O ShieldFont é contra a inteligência artificial?
Não. Os criadores afirmam que o objetivo é defender o consentimento dos autores no uso de conteúdo, e não combater o avanço da IA. A ferramenta só age quando o conteúdo é coletado sem permissão.
Quais idiomas o ShieldFont suporta?
Por enquanto, inglês e francês. O projeto é aberto e aceita contribuições de quem quiser adaptar o dicionário de trocas para outros idiomas, incluindo o português.
O ShieldFont substitui o robots.txt?
Não. Os criadores recomendam usar o robots.txt para declarar publicamente a recusa, e o ShieldFont como uma camada extra que torna a coleta não autorizada mais cara e menos útil.
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