Senado dos eua aprova embaixador, mas brasil segura aval: entenda a crise diplomática

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos atingiu um novo patamar nesta semana. O Senado americano aprovou, na sexta-feira, 7 de agosto, a indicação de Daniel Perez para embaixador no Brasil, mas o governo brasileiro já avisou que não vai conceder o aval necessário antes das eleições de outubro. O impasse começou com a quebra de um protocolo diplomático e escalou até a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.

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Daniel Perez, deputado estadual da Flórida e aliado do presidente Donald Trump, foi indicado em junho para chefiar a embaixada americana em Brasília. O problema: os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome antes de pedir o agrément ao Brasil — a autorização formal que todo país deve conceder antes de receber um embaixador estrangeiro, conforme a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Pela praxe, essa consulta é sigilosa e precede qualquer anúncio.

Como a crise escalou

O Itamaraty respondeu mantendo a análise do pedido sem prazo definido. Em julho, o governo brasileiro negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que planejavam visitar Brasília para discutir integridade eleitoral — medida que o Planalto considerou uma tentativa de interferir no processo eleitoral brasileiro. No dia 4 de agosto, Washington revogou o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti e condicionou o restabelecimento à concessão do agrément a Daniel Perez, sob ameaça de medidas mais severas.

Na prática, a embaixadora continua em Washington e pode exercer suas funções, mas, se deixar os Estados Unidos, precisará solicitar um novo visto para voltar. O Palácio do Planalto repudiou a medida, classificou a decisão como parte de uma escalada deliberada de medidas hostis e afirmou que o governo americano demonstra interesse descabido de interferir nas eleições brasileiras. Nos bastidores, a avaliação é de que o ato foi uma forma de chantagem, e a orientação interna é de cautela para não dar novos argumentos a Washington.

Quem é Daniel Perez

Aos 38 anos, Daniel Perez preside desde 2024 a Câmara dos Representantes da Flórida, cargo equivalente ao de presidente de uma Assembleia Legislativa. Filho de imigrantes cubanos, ele nasceu em Nova York e se mudou para a Flórida em 1993. Advogado formado pela Loyola University, integra o Partido Republicano desde 2017 e é próximo do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Na sabatina no Senado, em 16 de julho, afirmou que suas prioridades serão a proteção dos cidadãos americanos no Brasil, o comércio e o combate ao tráfico de drogas, além de defender condições para eleições livres e justas.

Durante a audiência, Perez foi questionado sobre o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros anunciado no mesmo dia pelo governo Trump. Ele reconheceu que há lacunas na relação comercial e afirmou que o Brasil é o maior parceiro comercial dos Estados Unidos na América do Sul, detentor de vastas reservas de minerais críticos essenciais para a economia americana.

O que acontece agora

Com a aprovação no Senado, Daniel Perez concluiu a etapa legislativa nos Estados Unidos, mas ainda depende do aval brasileiro para assumir o cargo. O posto está vago desde janeiro de 2025, quando Donald Trump iniciou o segundo mandato, e a embaixada é comandada por um encarregado de negócios. Interlocutores do Itamaraty indicam que novas autorizações de embaixadores só devem ser concedidas após as eleições de outubro. Lula já afirmou que pretende deixar a análise de novos embaixadores estrangeiros para depois do pleito.

A crise se soma a outros atritos recentes: seguem em vigor sanções individuais contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e do Executivo, baseadas na alegação de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em maio, durante visita a Washington, o presidente Lula pediu pessoalmente o levantamento dessas sanções, sem sucesso até agora. O governo brasileiro diz que não poupou esforços para resolver as diferenças e reitera a defesa do diálogo, mas também afirma que não vai ceder à pressão.

Perguntas frequentes sobre a crise Brasil-EUA

O que é o agrément?

É a autorização formal que um país concede para receber um embaixador indicado por outro. Pela Convenção de Viena, essa consulta é sigilosa e deve preceder o anúncio público do nome.

Por que o Brasil não concede o agrément a Daniel Perez?

O governo brasileiro entende que os Estados Unidos romperam o protocolo ao anunciar o nome antes da consulta formal. Além disso, o Planalto avalia que a pressão americana busca influenciar as eleições de outubro.

O que significa a revogação do visto da embaixadora?

Maria Luiza Ribeiro Viotti pode permanecer em Washington e seguir trabalhando, mas, se deixar os Estados Unidos, precisará de um novo visto para retornar ao território americano.

Daniel Perez já é embaixador?

Não. O Senado americano aprovou a indicação, mas ele só poderá assumir após receber o aval do governo brasileiro, que estuda o pedido sem prazo definido.

Informações com base em G1, Folha de S.Paulo, O Globo, CNN Brasil e BBC Brasil, publicadas entre 4 e 8 de agosto de 2026.

Daniel Perez embaixador dos Estados Unidos indicado por Trump em crise diplomática com o Brasil

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