O vazamento de mensagens entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger ampliou a crise entre a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal e virou trunfo da oposição na campanha eleitoral de 2026. As conversas, encontradas pela PF nas investigações sobre tráfico de influência, mostram a proximidade do filho do presidente Lula com a lobista e a interlocução dela com o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
RESUMO DA NOTÍCIA
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Mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger ampliaram a crise entre STF e PF e viraram trunfo da oposição nas eleições de 2026. Entenda o caso do canabidiol e os três inquéritos.
Em uma das conversas, Roberta afirma que os dois trabalhavam em outro nível e escreve que o futuro deles é na Suíça. Lulinha responde: isso, deixa eles, trabalho para caralho e nunca dá em nada. Em outro diálogo, a empresária menciona um almoço com Marcola e com Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, e o filho do presidente responde que aquele seria o terceiro encontro reservado com o então chefe de gabinete do pai.
As mensagens foram encontradas pela Polícia Federal no celular de Roberta Luchsinger e estavam em documentos oficiais entregues pela PF ao Supremo, chamados de Informação de Polícia Judiciária. A transcrição das conversas foi publicada pelo site Metrópoles e confirmada por outros veículos. Segundo a investigação, Roberta enviou a Marcola uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. A operação não prosperou, e Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o documento, mas afirmou que não o encaminhou.
Roberta havia sido contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para tentar viabilizar o negócio com a pasta. Segundo a investigação, a empresária recebeu 1,5 milhão de reais, em cinco parcelas de 300 mil reais. O Ministério da Saúde afirmou que nunca houve possibilidade de compra de canabidiol, uma vez que o produto não está incorporado ao SUS, e que não houve contrato ou discussão da atual gestão para sua oferta na rede pública.
Lulinha é alvo de três inquéritos na Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Um deles apura negociações envolvendo o Ministério da Saúde, outro investiga possível favorecimento a empresários na Dataprev, e o terceiro apura a atuação de um grupo que teria mantido negócios ilícitos em áreas do governo federal. A defesa do filho do presidente nega irregularidades e afirma que ele atua exclusivamente na iniciativa privada, sem negócios ligados ao governo federal.
Marcola, que trabalhou próximo ao presidente com acesso a ministros e à agenda presidencial, deixou recentemente a campanha petista após a revelação de que recebeu 249 mil reais de Roberta Luchsinger. Ele reconheceu o recebimento, mas afirmou que se tratava de um empréstimo para resolver uma questão familiar, posteriormente pago com juros e correção.
O vazamento dos diálogos ampliou a queda de braço entre o ministro relator André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Auxiliares de Mendonça negam que o ministro tenha permitido vazamentos, enquanto delegados federais apontam que, se confirmado o vazamento proposital de informações por quem tem acesso aos sigilos, a defesa de Lulinha pode alegar anulação de provas e da própria investigação.
Na segunda-feira, dia 17, o diretor-geral da PF foi chamado ao Supremo para conversar com o presidente do tribunal, Edson Fachin, sobre a crise entre as instituições. O embate virou questão entre os poderes em Brasília. Em julho, a PF acionou a Advocacia-Geral da União contra medidas do ministro André Mendonça no caso do INSS, reclamando do acesso ao material bruto da investigação.
A oposição aumentou a pressão por novas medidas. O senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, anunciou que vai pedir ao ministro André Mendonça providências para que Lulinha seja ouvido e para que as provas sejam preservadas. Na Câmara, o líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva, prepara representação à Procuradoria-Geral da República cobrando as mesmas providências.
O presidente Lula afirmou que confia no filho, mas que não pedirá o encerramento das investigações, e sinalizou que vai cobrar que Lulinha preste depoimento na Polícia Federal. A PF deve convocar o filho do presidente para depor, e ele já disse que virá ao Brasil quando o depoimento for marcado. Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro prepara o uso do caso na propaganda eleitoral na televisão, associando as revelações ao combate à corrupção.
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é filho do presidente Lula e está sendo investigado em três inquéritos da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no governo federal.
O que dizem as mensagens entre Lulinha e Roberta?
As mensagens mostram proximidade entre o filho do presidente e a empresária Roberta Luchsinger, com citações a negócios em outro nível e a encontros reservados com integrantes do governo.
O que é o caso do canabidiol?
Roberta enviou ao ex-chefe de gabinete Marcola uma minuta de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. A operação não prosperou e a pasta nega qualquer possibilidade de compra.
O que a oposição está pedindo?
A oposição cobra o depoimento de Lulinha e a preservação das provas, com pedidos formais ao STF e à Procuradoria-Geral da República.
O que Lula disse sobre o caso?
Lula afirmou que confia no filho, mas que não pedirá o encerramento das investigações e que Lulinha deve responder às apurações e se defender na Justiça.
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