Relatório Pele Alvo mostra que violência policial tem alvo preferencial 🔗
Um relatório divulgado nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, revela que oito em cada dez pessoas mortas em ações policiais no Brasil são negras. A 7ª edição do estudo Pele Alvo, produzido pela Rede de Observatórios do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), mostra que 86,3% das vítimas de letalidade policial em nove estados brasileiros eram pretas ou pardas. Os dados são referentes a 2025.
Os números indicam que nove estados registraram juntos 4.330 mortes em decorrência de ações policiais, uma alta de 6,4% em comparação com 2024. Desse total, 3.104 vítimas eram negras. O estudo também revela que 64,8% das pessoas mortas tinham até 29 anos, sendo que 310 eram crianças e adolescentes. Em média, a população negra tem quatro vezes mais chances de ser morta pela polícia do que a branca.
Quatro estados concentram os maiores números de mortes desde 2019: São Paulo (834 mortes em 2025), Pará (632), Maranhão (142) e Ceará (200). O Maranhão chamou atenção pelo aumento recorde de 86,8% na comparação com 2024, impulsionado pela interiorização de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) para o Norte e Nordeste do país.
Em Pernambuco, a letalidade policial cresceu 30,8% e uma pessoa negra tem 11 vezes mais chances de ser morta pela polícia do que uma branca. No Rio de Janeiro, a probabilidade é seis vezes maior. Os pesquisadores apontam que a expansão de facções criminosas está diretamente associada ao aumento da violência policial nos estados nordestinos e nortistas.
A Bahia, estado com a maior população negra do Brasil, registrou 1.570 mortes por agentes de segurança em 2025. Em apenas 19 dos 365 dias do ano não houve registro de morte em ações policiais no estado. O relatório destaca que a centralidade do racismo como instrumento de operação da segurança pública segue determinando quem são os alvos preferenciais do aparato estatal.
No Rio de Janeiro, o número de mortes subiu 13,8% e a capital fluminense concentrou 56,3% dos casos. A Operação Contenção, nos Complexos da Penha e do Alemão, classificou 115 mortos como narcoterroristas. Para os pesquisadores, essa terminologia reflete a normalização da violência extrema como elemento estruturante da segurança pública no estado.
O relatório também aponta falhas no registro de dados sobre raça e cor das vítimas. No Maranhão, por exemplo, 54,9% dos casos ainda não têm informação racial completa. No Ceará, o índice chega a 57,5%. Os pesquisadores alertam que a falta de dados compromete a formulação de políticas públicas eficazes de segurança.
A recomendação dos especialistas é investir em políticas de segurança que priorizem a preservação da vida, com transparência nos dados e controle social efetivo. Enquanto o racismo estrutural não for enfrentado como questão central da segurança pública, os jovens negros das periferias continuarão sendo as principais vítimas da violência do Estado no Brasil.
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