A manhã de sexta-feira, 19 de junho, começou com uma expectativa nos corredores do Palácio do Planalto, em Brasília: a de que o senador Jaques Wagner deixe a liderança do governo no Senado. Um dia após a Polícia Federal apreender 49 mil dólares em um endereço ligado a ele, aliados do presidente Lula afirmam que a permanência de Wagner no cargo se tornou insustentável. O senador resiste, mas a pressão política cresce.
O telefonema do presidente Lula para Jaques Wagner na tarde de quinta-feira, 18 de junho, foi de solidariedade — mas também carregava um recado indireto. De acordo com aliados ouvidos pelo blog da jornalista Andréia Sadi, do g1, Lula não pretende pedir diretamente que Wagner entregue o cargo, mas espera que ele próprio tome a iniciativa. A avaliação no núcleo duro do governo é que a situação se tornou insustentável depois que a Polícia Federal encontrou 49 mil dólares em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, usado pelo senador na capital federal. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Wagner, por enquanto, resiste. Em entrevista após a operação, o senador afirmou que continua na liderança até segunda ordem e classificou sua relação com Lula como sólida. Aliados do presidente, no entanto, consideram que o tom da entrevista foi acima do esperado. A leitura nos bastidores é de que a permanência de Wagner como líder do governo prejudica a articulação política em um ano eleitoral, especialmente com a campanha de reeleição de Lula em andamento. O PT espera um gesto do senador ainda nesta sexta-feira, segundo apuração do g1 e da GloboNews.
As suspeitas da Polícia Federal são detalhadas. Wagner é investigado por supostamente ter recebido um apartamento avaliado em 2,5 milhões de reais em Salvador, na Bahia, além de repasses que somam 3,5 milhões de reais para uma empresa controlada pela nora do senador. Em troca, segundo a investigação, ele teria usado sua influência política para favorecer o Banco Master no Congresso — especialmente na tramitação da chamada Emenda Master, proposta que aumentaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de 250 mil para 1 milhão de reais.
A operação Compliance Zero, em sua nona fase, cumpre 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Além de Jaques Wagner, são alvos o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, e familiares do senador. O caso reacendeu o debate sobre a relação entre poder político e instituições financeiras no Brasil. Enquanto Wagner decide seu futuro político, o governo tenta conter os danos e evitar que o caso contamine a campanha presidencial. A expectativa em Brasília é que o desfecho da crise saia ainda hoje.


















