O desemprego no Brasil caiu para 5,6%, o menor indice desde 2014. Mas por que a sensacao nas ruas e de que a economia continua dificil? A resposta esta na forma como o IBGE calcula esse numero. A Nova Top Net explica o pulo do gato das estatisticas e mostra tres motivos pelos quais os dados nem sempre refletem o que o brasileiro sente no bolso.
O IBGE segue um padrao internacional da Organizacao Internacional do Trabalho, a OIT. Para o instituto, desempregado nao e quem esta sem trabalhar, mas sim quem esta sem trabalhar e procurou emprego ativamente nos ultimos trinta dias. Isso faz toda a diferenca no resultado final. Uma pessoa que cansou de enviar curriculo e parou de procurar por algumas semanas sai da estatistica de desempregado e entra no grupo dos desalentados. Na vida real, ela continua sem renda, mas para o numero oficial, o desemprego cai. Alem disso, quem faz um bico de poucas horas na semana ou trabalha na informalidade apenas para nao passar fome e considerado ocupado. E assim que o indice de 5,6% se torna possivel.
Emprego subiu, mas a qualidade e o salario pesam 🔗
O mercado de trabalho brasileiro gerou vagas nos ultimos meses, isso e fato. Mas muitas dessas contratacoes estao concentradas em setores que pagam menos ou na informalidade, como trabalho sem carteira assinada, motoristas de aplicativo, entregadores e bicos diversos. O numero de contratacoes impressiona no grafico, mas o rendimento medio real do brasileiro muitas vezes nao acompanha o custo de vida. O resultado e que a sensacao de sufoco financeiro continua exatamente a mesma, dando a impressao de que a economia esta ruim mesmo com mais gente trabalhando. O emprego ate subiu, mas a qualidade e o salario pesam na balanca.
Mesmo que o desemprego esteja numericamente baixo, o poder de compra e o que dita a vida real. Se os precos dos alimentos, da energia, do combustivel e do aluguel sobem mais rapido que o salario medio do mercado, ter um emprego nao significa ter uma vida confortavel. O trabalhador continua escolhendo o que vai cortar no supermercado. O fantasma da inflacao no dia a dia corroe qualquer ganho numerico no emprego formal e faz com que a popularidade do governo nao acompanhe os indicadores economicos positivos.
Os dados do IBGE sao baseados em censos e pesquisas serias de amostragem. As contratacoes e a movimentacao economica aconteceram de fato, especialmente puxadas pelos setores de servicos e comercio. O marketing do governo esta em focar apenas no numero frio de 5,6% para parecer que esta tudo perfeito. Mas quem vive a realidade do Brasil sabe que o desemprego baixo nos papeis nem sempre significa dinheiro no bolso e tranquilidade no fim do mes.
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