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Jaques Wagner deve deixar liderança do governo no Senado após pressão de aliados

O senador Jaques Wagner, do P T da Bahia, deve anunciar ainda nesta semana o afastamento da liderança do governo no Senado. A decisão foi tomada após conversas com aliados do partido e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da P F, que investiga supostos benefícios recebidos do Banco Master. A informação foi confirmada pela C N N Brasil e pelo portal R 7 nesta segunda-feira, 22 de junho.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deve anunciar nos próximos dias que deixará a liderança do governo no Senado, cargo que ocupa desde o início do terceiro mandato do presidente Lula. A decisão acontece após a deflagração da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga supostas vantagens indevidas recebidas pelo parlamentar em troca de atuação favorável ao Banco Master no Congresso Nacional. Aliados próximos do senador, incluindo lideranças petistas da Bahia, o convenceram durante o fim de semana de que a permanência no cargo ampliaria o desgaste tanto para ele quanto para o governo, em Brasília, Distrito Federal.

A Polícia Federal aponta que Jaques Wagner teria recebido benefícios como um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, voos em aeronaves ligadas ao Master e ingressos para um show internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, no valor de R$ 63,3 mil. O senador nega todas as acusações e afirma que colaborará com as investigações. Segundo apuração da CNN Brasil, Wagner foi convencido por aliados baianos de que a saída da liderança seria o gesto político mais adequado para reduzir os danos ao governo Lula a poucos meses das eleições de 2026.

O presidente Lula foi informado no domingo (21) de que o senador já havia se convencido da necessidade de deixar o cargo. A mudança ocorreu após sucessivas conversas com lideranças petistas na Bahia. Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares presidenciais afirmam que um dos fatores que mais agravou a situação foi o sentimento de decepção com as revelações feitas pela PF. Integrantes do entorno de Lula relatam que, por mais de uma vez, Wagner havia assegurado ao presidente que não existiam elementos que pudessem resultar em uma operação contra ele.

O cientista político André Rosa, ouvido pelo R7, analisa que a saída de Wagner deve ocorrer de forma discreta e gradual, como uma operação cirúrgica para reduzir danos. Entre os possíveis substitutos para a liderança do governo no Senado estão os senadores Camilo Santana (PT-CE), Teresa Leitão (PT-PE) e Otto Alencar (PSD-BA), todos com perfil de articulação política e trânsito no Congresso Nacional. A expectativa é que o anúncio oficial ocorra ainda esta semana, após uma conversa definitiva entre Lula e Jaques Wagner no Palácio da Alvorada.

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