Unitree dispara 629% na bolsa: robôs que dançam e trabalham valem us$ 53 bilhões

Os robôs que dançam, lutam e fazem acrobacias viraram febre também no mercado de ações. A Unitree Robotics, fabricante chinesa de robôs humanoides, estreou nesta quarta-feira, 19 de agosto, na Bolsa de Valores de Xangai, e viu suas ações dispararem até 629% durante o pregão. No fechamento, a alta ficou em cerca de 487%, avaliando a empresa em aproximadamente US$ 53 bilhões.

RESUMO DA NOTÍCIA
Unitree Robotics dispara até 629% na estreia na Bolsa de Xangai, com IPO de US$ 905 milhões e demanda 8.000 vezes maior que a oferta. Veja os números, os desafios e o que isso significa para o Brasil.
ÍNDICE

A operação já era histórica antes mesmo da abertura. A Unitree levantou 6,1 bilhões de yuans, cerca de US$ 905 milhões, na oferta pública inicial. A demanda dos investidores de varejo superou em mais de 8.000 vezes a quantidade de ações oferecidas. Com a estreia, a companhia se tornou a primeira fabricante de robôs humanoides a ser listada na bolsa continental da China.

O que é a Unitree

Fundada em 2016 em Hangzhou, polo tecnológico no leste da China, a Unitree ganhou o mundo com vídeos de robôs dançando, lutando e fazendo movimentos acrobáticos. No ano passado, suas máquinas apareceram no tradicional programa de Ano Novo Lunar, um dos eventos de maior audiência do país. A empresa também fabrica os famosos cães-robôs, os robôs quadrúpedes, que representaram cerca de 42% da receita no ano passado. Recentemente, apresentou um novo modelo, chamado Superman, capaz de saltar até dois metros e atingir 12,66 metros por segundo.

Por que as ações dispararam

Os números financeiros explicam parte do entusiasmo. A receita da Unitree chegou a quase 1,7 bilhão de yuans em 2025, cerca de US$ 252 milhões, mais de dez vezes o valor registrado dois anos antes. A companhia entregou mais de 5.500 robôs humanoides no mundo e se tornou a maior vendedora global desse tipo de máquina, com lucro líquido de cerca de US$ 41 milhões. O movimento também faz parte da corrida da China para liderar a robótica: o país responde por cerca de 82% dos envios globais de robôs humanoides, segundo a consultoria IDC.

O desafio de sair do espetáculo

Investidores e clientes começam a cobrar resultados práticos: quanto trabalho os robôs realmente conseguem fazer, quanta supervisão humana exigem e se o ganho de produtividade compensa o custo. Segundo o prospecto da oferta, instituições de pesquisa e universidades responderam pela maior parte das vendas, enquanto as aplicações industriais representaram menos de 10%. Os robôs humanoides normalmente custam entre 300 mil e 500 mil yuans, e a corretora Guotai Securities estima que o preço ideal para se pagar em dois anos seria em torno de 160 mil yuans. Analistas da Omdia classificam parte do movimento como otimismo especulativo.

Jogos Mundiais dos Robôs Humanoides

A corrida ganhará um teste prático nos próximos dias. Os Jogos Mundiais dos Robôs Humanoides acontecem em Pequim de 22 a 26 de agosto, com provas inspiradas no trabalho cotidiano: embalagem, montagem industrial, atendimento no varejo, tarefas de escritório, carregamento de veículos elétricos e atividades de precisão, como conectar cabos e usar ferramentas. Diferente da dança, nessas tarefas os robôs precisam identificar objetos, manipulá-los repetidamente e corrigir erros sem a intervenção constante de um engenheiro. Mais de 300 empresas são esperadas na Conferência Mundial de Robôs, que ocorre na mesma semana, com mais de 2.000 exposições.

O que isso significa para o Brasil

A adoção dos humanoides ainda é inicial até mesmo na China, onde alguns robôs já fazem entregas em hotéis e trabalham em linhas de montagem específicas. Os preços em reais são altos: 300 a 500 mil yuans equivalem a algo entre R$ 240 mil e R$ 390 mil. Para empresas brasileiras, a recomendação é acompanhar de perto os testes de Pequim, porque o que hoje parece espetáculo costuma virar ferramenta de trabalho mais rápido do que se imagina. A China também planeja levar cães-robôs à Lua para construir uma base com astronautas até 2035, e os Estados Unidos já impuseram restrições à expansão da Unitree, incluída em junho em uma lista de companhias ligadas ao Exército chinês.

Perguntas frequentes

O que é a Unitree?

É uma fabricante chinesa de robôs humanoides e cães-robôs, fundada em 2016 em Hangzhou. Ficou famosa com vídeos de robôs que dançam, lutam e fazem acrobacias.

Quanto a Unitree levantou na estreia na bolsa?

A empresa levantou 6,1 bilhões de yuans, cerca de US$ 905 milhões, na oferta pública inicial. A demanda foi mais de 8.000 vezes superior à quantidade de ações oferecidas.

Quanto custa um robô humanoide?

Os robôs humanoides normalmente custam entre 300 mil e 500 mil yuans, cerca de R$ 240 mil a R$ 390 mil. Analistas estimam que o preço ideal para se pagar em dois anos seria em torno de 160 mil yuans.

Robôs humanoides vão substituir trabalhadores?

A adoção em larga escala ainda não aconteceu. As aplicações industriais representaram menos de 10% das vendas da Unitree, e a indústria ainda precisa resolver problemas de confiabilidade, custo e demanda.

Quando os robôs humanoides chegam ao Brasil?

Ainda não há prazo. A adoção é inicial até na China, onde robôs já fazem entregas em hotéis e atuam em linhas de montagem específicas. Empresas brasileiras acompanham os testes em Pequim para avaliar custo e produtividade.

Categoria Tecnologia do Novatopnet

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