A hashtag #TariFlávio tomou conta das redes sociais brasileiras e acumulou 7 milhões de menções no Instagram, X (Twitter) e TikTok em apenas 48 horas. O termo, criado por apoiadores do presidente Lula, associa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à decisão de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo levantamento da agência de inteligência digital Ativa Web encomendado pela coluna de Tatiana Farah, no UOL, o tarifaço gerou mais de 21,4 milhões de interações digitais nas primeiras 24 horas após o anúncio.
A expressão “TariFlávio” representa 32% de todas as conversas sobre o tarifaço nas plataformas digitais. O termo já vinha sendo cultivado por petistas desde a viagem do pré-candidato do PL aos Estados Unidos em maio deste ano. A campanha de Flávio tentou reverter a narrativa utilizando a hashtag #TarifaLula para atribuir a responsabilidade ao petista, mas o alcance foi significativamente menor, com cerca de 1,2 milhão de menções. Os dados mostram que a discussão rapidamente deixou o campo econômico para se transformar em uma disputa política sobre responsabilidades.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana confirma o desgaste político do senador. Segundo o levantamento, 51% dos brasileiros concordam que Flávio Bolsonaro tem responsabilidade política pelo tarifaço, enquanto apenas 30% aceitam a versão apresentada pelo parlamentar. Entre os bolsonaristas, a concordância com a narrativa de Flávio caiu de 75% para 67%, indicando erosão mesmo entre sua base tradicional. O estudo também mostra que 63% dos brasileiros acreditam que as tarifas vão prejudicar a própria vida ou a da família.
O governo Lula capitalizou politicamente o episódio. Ministros passaram a qualificar integrantes do bolsonarismo como “falsos patriotas” e “entreguistas”, sustentando que buscar apoio externo para pressionar instituições brasileiras representa afronta aos interesses nacionais. O presidente Lula publicou nas redes sociais uma foto com a mão sobre a bandeira do Brasil e escreveu: “O Brasil não vacilará no dever de defender e preservar nossa soberania.” Segundo a Quaest, 42% dos entrevistados afirmam que o tarifaço aumenta a disposição de votar em Lula, contra apenas 27% que dizem o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro.
O diretor da Ativa Web DataLab, Alek Maracajá, afirmou que o principal impacto da crise ocorreu antes mesmo dos efeitos econômicos. “O tarifaço atingiu as exportações brasileiras, mas o primeiro impacto ocorreu na reputação digital. Nas redes sociais, a batalha não era sobre tarifas ou comércio exterior. Era sobre definir quem seria reconhecido como defensor do Brasil e quem carregaria o custo político da crise”, disse. Para Maracajá, guerras comerciais no século XXI são vencidas não apenas nas mesas de negociação, mas também nos algoritmos das redes sociais.
O episódio expõe como o tarifaço de Trump se transformou no centro do debate eleitoral brasileiro. Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro insistem que o governo Lula agravou o relacionamento com Washington por razões ideológicas, o governo federal contra-ataca associando a família Bolsonaro à decisão americana. O histórico das conversações digitais, segundo Maracajá, mostra um comportamento consistente: sempre que a relação entre Brasil e Estados Unidos entra em crise, o bolsonarismo enfrenta maior desgaste reputacional nas redes.
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