O Banco Central divulgou nesta semana o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, com números impressionantes: quase 80 bilhões de transações em 2025, alta de 25,7% em relação ao ano anterior, e mais de 35 trilhões de reais movimentados, crescimento de 33,8%. O sistema, lançado em novembro de 2020, chegou ao fim do ano passado com 148 milhões de pessoas físicas e 12,8 milhões de empresas usando a ferramenta, o que equivale a 86% da população adulta brasileira.
RESUMO DA NOTÍCIA
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Banco Central prepara Pix sem internet, Pix internacional e novas medidas antifraude. Nobel de Economia Joseph Stiglitz defende o sistema contra tarifas dos EUA.
O documento também revelou a agenda de novidades do Pix para os próximos anos, que inclui pagamento por aproximação sem internet, cobrança híbrida com boleto, Pix internacional, uso do sistema como garantia de crédito e novas ferramentas contra fraudes. Em paralelo, o economista Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de Economia, saiu em defesa do Pix em entrevista à BBC, afirmando que o governo dos Estados Unidos ataca o sistema por não aceitar a independência digital do Brasil.
Uma das novidades mais aguardadas é o Pix por aproximação que funciona sem conexão com a internet. O Banco Central estuda permitir que uma transação seja iniciada mesmo sem sinal de dados móveis no celular do pagador, usando dispositivos com tecnologia NFC, como cartões, relógios e pulseiras. A modalidade está prevista para os próximos anos e promete ampliar o acesso ao sistema em regiões com conexão instável.
Outra frente é a cobrança híbrida, que reúne boleto e Pix em um único documento: o consumidor recebe uma conta com código de barras e QR Code e escolhe a forma de pagamento. O Pix Automático, sistema de débito recorrente que entrou em operação em junho de 2025, também será ampliado, com a inclusão de contas-salário como iniciadoras e o pagamento parcial de cobranças.
O Banco Central estuda interligar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países, tanto em conexões bilaterais quanto em hubs multilaterais globais. Segundo a instituição, essas interligações permitiriam remessas internacionais e transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos, com potencial de reduzir tarifas e ampliar o acesso a transações no exterior. Hoje, as soluções que permitem pagar com Pix fora do Brasil são oferecidas por empresas privadas e não representam uma conexão direta com sistemas estrangeiros.
Também está sendo estudada a integração do Pix ao mercado de crédito, para permitir o uso dos fluxos futuros de recebimentos como garantia em operações de financiamento. A expectativa é melhorar a qualidade das garantias e reduzir o custo do crédito, especialmente para empresas que recebem uma parcela relevante das vendas pelo sistema. O BC trabalha ainda no split tributário, mecanismo ligado à reforma tributária que separa automaticamente a parcela dos impostos no momento do pagamento.
A agenda de segurança prevê oito medidas para aprimorar o combate a golpes. A principal é o desenvolvimento de um indicador de probabilidade de fraude no Pix, calculado pelo Banco Central em tempo real com uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina, e disponibilizado às instituições financeiras para alimentar seus sistemas antifraude. Também estão previstos critérios objetivos mínimos para definir transações suspeitas e a padronização dos alertas de fraude exibidos pelos bancos.
Em setembro, entram em vigor novas regras que ampliam o rastreamento das transferências no Mecanismo Especial de Devolução, o MED, permitindo que as instituições acompanhem o caminho percorrido por valores contestados mesmo depois que o dinheiro for transferido para outras contas. O BC também estuda coibir o uso abusivo do campo de mensagens das transações para ofensas, ameaças ou intimidações, frequentemente associadas a transferências de valores irrisórios, e pode restringir o cadastro de novas chaves Pix para instituições que coloquem em risco o funcionamento do sistema.
Em entrevista à BBC News Brasil, o economista Joseph Stiglitz, professor da Universidade Columbia e ganhador do Nobel de Economia, afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil são motivadas pela tentativa de punir o país por buscar independência digital. Segundo ele, o governo americano não gosta da ideia de o Brasil ter seu próprio sistema de pagamentos, independente da Visa e da Mastercard, e estaria servindo aos interesses corporativos americanos ao incluir o Pix na lista de motivos para taxar as exportações brasileiras.
Stiglitz classificou as justificativas do governo americano como uma farsa desonesta e afirmou que os benefícios do sistema de pagamentos brasileiro são quase certamente muito maiores do que os prejuízos das medidas tarifárias. Para ele, a estratégia americana pode enfraquecer a posição dos Estados Unidos e fortalecer a influência da China na economia global. O Pix, criado para ser um meio de pagamento de baixo custo, tornou-se também um símbolo da autonomia tecnológica e financeira do Brasil.
O Banco Central estuda permitir pagamentos Pix por aproximação sem conexão com a internet, usando dispositivos com tecnologia NFC como cartões, relógios e pulseiras. A modalidade está prevista para os próximos anos.
O Pix vai funcionar no exterior?
O BC estuda interligar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países, o que permitiria remessas e compras internacionais com conversão para a moeda local em poucos segundos.
O que muda no Pix em setembro?
Entram em vigor novas regras que ampliam o rastreamento de transferências no Mecanismo Especial de Devolução, dificultando a ação de criminosos que espalham o dinheiro por várias contas.
O Pix pode ser usado como garantia de crédito?
Sim. O BC estuda permitir que empresas usem os fluxos futuros de recebimentos via Pix como garantia em operações de crédito, com potencial de reduzir custos dos financiamentos.
Por que o Pix virou alvo dos Estados Unidos?
O governo americano citou o Pix como justificativa para tarifas sobre produtos brasileiros. O Nobel de Economia Joseph Stiglitz afirma que a medida busca punir o Brasil pela independência digital, ao ter um sistema próprio fora do controle da Visa e da Mastercard.
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