Uma nova geração de prevenção ao HIV está mais perto de chegar ao mundo, e o Brasil pode estar na linha de frente dessa mudança. O alimatravir, uma pílula oral tomada uma vez por mês para prevenir a infecção pelo HIV, está na fase final de testes clínicos, e a expectativa da Organização das Nações Unidas é que ele possa ampliar muito a adesão à profilaxia pré-exposição, conhecida como Prep.
Na prática, o alimatravir substituiria os comprimidos diários por uma única dose mensal, o que facilita a vida de quem quer se proteger. Em estudos da fase 3, a eficácia está sendo testada em quase nove mil voluntários em dezessete países, incluindo centros de pesquisa brasileiros. A proteção começa cerca de uma hora depois da ingestão da pílula, segundo a farmacêutica MSD, que desenvolve o medicamento.
O nome técnico do alimatravir é MK-8527, e ele age impedindo a replicação do vírus HIV no organismo. Hoje, o Sistema Único de Saúde oferece a Prep diária com dois antirretrovirais combinados, ou a Prep sob demanda, tomada antes e depois das relações. O alimatravir, se aprovado, será uma terceira opção, ainda mais simples, podendo contribuir com a meta de encerrar a Aids até 2030.
O anúncio mais recente veio da ONU na semana passada: a farmacêutica assinou acordos voluntários de licenciamento com sete fabricantes de genéricos, sendo três na África do Sul, em Uganda e no Quênia, e quatro na Índia, para produzir o remédio a preço acessível em 129 países de baixa e média rendas. Estudos estimam que o custo de produção possa chegar a cerca de três dólares por pessoa ao ano, um valor inédito para um método tão eficaz.
E o Brasil está ligado a essa história: durante a Conferência Internacional da Aids, realizada em julho no Rio de Janeiro, a Fiocruz e a MSD assinaram um memorando de entendimento para avaliar a produção nacional do alimatravir. Segundo o Ministério da Saúde, se os testes finais forem bem-sucedidos e o registro for aprovado, haverá transferência de tecnologia para a Fiocruz produzir o medicamento no Brasil, para o Sistema Único de Saúde e para a América Latina.
Para isso, o medicamento ainda precisa passar pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias, a Conitec, que avalia o que entra no Sistema Único de Saúde. Enquanto isso, o Ministério da Saúde também analisa a inclusão de um PrEP injetável, aplicado a cada dois meses, o cabotegravir, ampliando ainda mais as opções de prevenção disponíveis gratuitamente.
A Nova Top Net explica: o alimatravir pode revolucionar a prevenção ao HIV se os resultados da fase 3 confirmarem a eficácia, com resultados esperados para o fim de 2027. No Brasil, que registrou 55 mil novas infecções em 2024, a chegada de uma pílula mensal ao Sistema Único de Saúde depende dos estudos clínicos, da Anvisa e da Conitec, com a Fiocruz já preparada para ser a produtora nacional.
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