Pf indicia dono da voepass e mais 15 por queda de avião que matou 62 em vinhedo

A Polícia Federal encerrou o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, e formalizou o indiciamento de 16 pessoas, entre funcionários e ex-funcionários da companhia, incluindo o próprio dono da empresa. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 6 de agosto, e o laudo de quase 200 páginas aponta que a tragédia, ocorrida em 9 de agosto de 2024, não foi uma fatalidade.

RESUMO DA NOTÍCIA
A Polícia Federal encerrou o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass e indiciou 16 pessoas, entre elas o dono da companhia. O laudo aponta falhas no sistema de degelo, omissões no diário de bordo e liberação irregular da decolagem. Entenda o caso que chocou o Brasil em 2024.
ÍNDICE

Segundo a perícia, a queda do ATR 72-500, que partiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, em São Paulo, foi causada por uma combinação de falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em área de formação severa de gelo e sucessivas barreiras de segurança que deixaram de funcionar antes da decolagem. O g1 transmitiu a divulgação do resultado da investigação criminal ao vivo.

Um dos pontos mais impactantes do laudo veio da caixa-preta, revelada com exclusividade pelo g1: o piloto admitiu durante o voo que o sistema de degelo não estava funcionando, chegando a dizer que o avião parecia um Fusquinha, e a análise mostrou que houve oito alertas de falha no sistema da asa direita em um voo anterior. Apesar dos problemas conhecidos, a aeronave continuou em operação.

A investigação revelou ainda que tripulações de voos anteriores omitiram panes graves no diário de bordo técnico para evitar que o avião ficasse parado, enquanto o despachante operacional liberou a decolagem mesmo com equipamentos obrigatórios inoperantes, como o limpador de para-brisa, e com previsão de gelo severo na rota entre Cascavel e Guarulhos.

O que o laudo da Polícia Federal concluiu

O documento, produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística, concluiu que o acidente resultou da combinação entre falhas no sistema de degelo, meteorologia severa e desrespeito a barreiras de segurança. Na avaliação da PF, a omissão de registros impediu que a manutenção interviesse antes do voo sinistrado, comprometendo a barreira técnica que deveria evitar dificuldades em condições de gelo severo.

O que diz o relatório final do Cenipa

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, divulgado em 23 de julho, já apontava que o avião não poderia ter decolado, com falhas da empresa, dos pilotos e da Anac, além de uma cultura de normalização de desvios. O documento mostrou que o turboélice voou entre oito e dez minutos em área com condições de gelo severo e que a tripulação não registrou falhas do degelo na véspera da tragédia.

Quem pode ser responsabilizado

Com o encerramento do inquérito, a PF indiciou 16 pessoas, incluindo o dono da Voepass e o ex-chefe de pilotos, Rafael Gimenez Rodrigues. O caso agora será encaminhado ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre o oferecimento de denúncias à Justiça. O acidente do voo 2283 é o mais grave da aviação brasileira desde 2007, quando o voo da TAM matou 199 pessoas em São Paulo.

Perguntas frequentes sobre o acidente da Voepass

O que causou a queda do avião da Voepass?

Segundo o laudo da Polícia Federal, a queda foi causada por uma combinação de falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em área de formação severa de gelo e falhas na execução de procedimentos, com sucessivas barreiras de segurança que deixaram de funcionar antes do voo de 9 de agosto de 2024.

Quantas pessoas foram indiciadas pela PF?

A Polícia Federal indiciou 16 pessoas, entre funcionários e ex-funcionários da Voepass, incluindo o dono da companhia e o ex-chefe de pilotos. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre eventuais denúncias.

O que a caixa-preta revelou sobre o voo 2283?

A gravação mostrou o piloto admitindo que o sistema de degelo não estava funcionando e comparando o avião a um Fusquinha. A análise apontou ainda oito alertas de falha no sistema da asa direita em voo anterior, o que indica que o problema era conhecido antes da tragédia.

O avião da Voepass poderia ter decolado?

Não. O relatório final do Cenipa concluiu que a aeronave não poderia ter decolado com previsão de chuva, porque o limpador de para-brisa estava inoperante, além de apresentar falhas não registradas no sistema de degelo. O despachante operacional liberou o voo mesmo assim.

Quase dois anos depois da tragédia que tirou a vida de 62 pessoas, o Brasil finalmente tem uma resposta sobre o que aconteceu naquela tarde em Vinhedo. O laudo da Polícia Federal e o relatório do Cenipa mostram que a falha não foi do céu, mas de uma sequência de decisões humanas que ignoraram sinais de perigo. A Novatopnet seguirá acompanhando o desdobramento do caso, com informação verificada e respeito às vítimas e suas famílias.

Avião ATR 72-500 da Voepass e o laudo da Polícia Federal sobre a queda do voo 2283 em Vinhedo com 16 indiciados

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