O Instagram e o Facebook podem mudar de forma profunda nos próximos meses. Nesta terça-feira, 18 de agosto, começou em Oakland, na Califórnia, um julgamento que coloca a Meta, dona das duas redes sociais e do WhatsApp, no banco dos réus. Uma coalizão de 29 estados americanos acusa a empresa de projetar suas plataformas para viciar crianças e adolescentes e de enganar o público sobre a segurança delas. As multas podem chegar a US$ 1,4 trilhão, quase o valor de mercado da companhia, estimado em cerca de US$ 1,5 trilhão.
RESUMO DA NOTÍCIA
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Julgamento da Meta começa em Oakland com multas de até US$ 1,4 trilhão e pode forçar mudanças no Instagram e no Facebook: verificação de idade, fim da rolagem infinita e limites de uso. Veja o que muda no Brasil.
O julgamento é liderado pelos procuradores-gerais da Califórnia, do Colorado, de Kentucky e de Nova Jersey, e conta com um júri de oito integrantes, que atua apenas como órgão consultivo. A decisão final caberá à juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers. O processo deve durar várias semanas, e Mark Zuckerberg, presidente da Meta, além de Adam Mosseri, chefe do Instagram, são esperados para depor.
Os estados pedem que a Justiça obrigue a Meta a adotar mecanismos mais rigorosos de verificação de idade, a eliminar recursos como a rolagem infinita e a promover outras mudanças nas plataformas em todo o território americano. A acusação se baseia em documentos internos e estudos produzidos pela própria empresa, além de depoimentos de ex-funcionários. A denunciante Frances Haugen, que prestou depoimento ao Senado americano em 2021, afirmou que a companhia sabia que seus produtos poderiam prejudicar crianças e adolescentes, mas optou por não fazer mudanças amplas com medo do impacto financeiro.
A Meta nega as acusações e diz que o valor das multas é absurdo e sem fundamento. A empresa afirma que o vício em redes sociais não é uma condição psiquiátrica reconhecida e que os procuradores não têm provas de que enganou os consumidores. O julgamento acontece logo depois de um impacto de quase US$ 1 bilhão sofrido pela Meta no Novo México, onde um juiz comparou a empresa a uma fábrica poluidora e determinou limites de tempo de uso e restrições às notificações para usuários jovens, além de cerca de US$ 375 milhões em multas e mais US$ 567 milhões em reparação de danos.
Instagram e Facebook estão entre as redes sociais mais usadas pelos brasileiros, e mudanças determinadas pela Justiça americana tendem a ser aplicadas globalmente pelas plataformas, como já aconteceu em outras ocasiões. Verificação de idade mais rígida, fim da rolagem infinita e limites de tempo de uso podem chegar aos aplicativos usados por milhões de pessoas no Brasil ainda este ano. Para os pais, a recomendação é acompanhar as novidades, usar os controles parentais já disponíveis no Instagram e no Facebook e combinar horários de uso com os filhos. Na Austrália e em diversos países da Europa, governos já criaram restrições e até proibições de redes sociais para menores, e o debate também avança no Brasil com projetos como o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital.
Independentemente do resultado, especialistas consideram este o caso mais relevante já enfrentado pela Meta, e ele pode estabelecer um precedente para toda a indústria de redes sociais. Outros 14 estados americanos têm um julgamento separado marcado para fevereiro, e empresas como o TikTok e o Snap também são alvo de processos semelhantes. O que está em jogo não é só o bolso da empresa, mas a forma como milhões de pessoas, principalmente jovens, usam as redes sociais todos os dias.
Uma coalizão de 29 estados americanos acusa a empresa de projetar Facebook e Instagram para viciar crianças e adolescentes e de enganar o público sobre a segurança das plataformas. O julgamento começou em 18 de agosto em Oakland, na Califórnia.
De quanto pode ser a multa?
Segundo cálculos da própria Meta, as penalidades podem chegar a US$ 1,4 trilhão, quase o valor de mercado da empresa. Nas audiências preliminares, os procuradores indicaram um valor próximo de US$ 200 bilhões.
Que mudanças os estados querem no Instagram e no Facebook?
Verificação de idade mais rigorosa, fim da rolagem infinita, limites de tempo de uso e restrições às notificações para usuários jovens, entre outras medidas.
As mudanças valem para o Brasil?
Mudanças determinadas pela Justiça americana tendem a ser aplicadas globalmente pelas plataformas, como já aconteceu em outras ocasiões. Instagram e Facebook estão entre as redes mais usadas pelos brasileiros.
Mark Zuckerberg vai depor?
Sim. O presidente da Meta, Mark Zuckerberg, e o chefe do Instagram, Adam Mosseri, são esperados para depor em um julgamento que deve durar várias semanas.
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