Os jingles da eleição presidencial de 2026 já estão no ar, e cada candidato escolheu um ritmo diferente para tentar conquistar o eleitor. A campanha de Lula aposta no funk, Flávio Bolsonaro investe no sertanejo com toque gospel, Renan Santos mistura rock e sertanejo, e Ronaldo Caiado aposta no pop. Romeu Zema, do Novo, ainda não lançou jingle oficial.
O jingle de Lula, lançado em 26 de julho, é uma releitura do Rap do Silva, clássico do funk carioca de 1994, do MC Bob Rum. A letra foi adaptada para contar a trajetória do presidente: “É o Lula da Silva, é a estrela que brilha, ele é brasileiro, trabalhador e família”. O clipe reúne imagens de arquivo, da infância no sertão nordestino à prisão em Curitiba, e foi escolhido pelo alcance entre o público jovem das periferias.
Flávio Bolsonaro aposta na música “Vem com Fé”, lançada em junho. A faixa começa com uma introdução de louvor no estilo worship e depois muda para o sertanejo universitário, com refrão feito para ser cantado em coro. O clipe mostra o candidato ao lado de aliados como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, com forte presença de símbolos cristãos, da bandeira do Brasil e do agronegócio.
Renan Santos apresentou “A Vingança do Povo” durante a convenção do partido Missão. O chamado rocknejo mistura rock e sertanejo, numa sonoridade que a equipe compara a uma mistura de The Killers com Ana Castela. O próprio candidato compôs e canta a faixa, criada como resposta ao “Lula Lá”, jingle histórico da campanha de 1989. A letra contrapõe a estrela do PT ao sol, e o clipe, feito 100% com inteligência artificial, tem estética de mangá.
Ronaldo Caiado lançou “Esse Cara é Caiado” na convenção do PSD. A música pop repete o nome do candidato no refrão e o associa a atributos como “honesto”, “decente” e “homem de palavra”, com versos sobre o combate à bandidagem. O marqueteiro Paulo Vasconcelos afirma que o material foi gravado em estúdio e produzido sem inteligência artificial.
Os jingles são uma peça clássica do marketing político, transformando nomes e slogans em músicas fáceis de memorizar e compartilhar. Em 2026, a novidade é o uso da inteligência artificial, como no clipe de Renan Santos, e o TSE já exige que conteúdos sintéticos sejam informados de forma explícita na propaganda eleitoral.
Lula Rap do Silva Funk dos anos 90 Releitura clássica
Flávio Vem com Fé Sertanejo + gospel Refrão em coro
Renan A Vingança do Povo Rocknejo com IA Clipe em mangá
Caiado Esse Cara é Caiado Pop sem IA Refrão memorável
A propaganda oficial começa em 16 de agosto, e o registro das candidaturas termina no dia 15. Até lá, os jingles circulam nas redes sociais como prévia das estratégias de cada campanha. A cientista política Priscila Lapa, que analisou as faixas, destaca que as escolhas musicais refletem a fragmentação do eleitorado: o funk busca a periferia, o sertanejo conversa com o agronegócio e o pop tenta alcançar do Ceará ao Rio Grande do Sul.
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