Ia pode adicionar r$ 986 bilhões ao pib do brasil até 2030, aponta estudo; veja quem mais ganha

A inteligência artificial pode adicionar até 986,7 bilhões de reais ao Produto Interno Bruto do Brasil entre 2027 e 2030. A estimativa é de um estudo inédito do Reglab, centro de pesquisa de economia aplicada, encomendado pela OpenAI, a empresa dona do ChatGPT. O valor equivale a cerca de 7,6% do PIB previsto para 2026, de 12,9 trilhões de reais, e representa um impacto acumulado de 2,77% na economia ao longo dos quatro anos — ou, em média, 0,69 ponto porcentual de crescimento extra por ano.

RESUMO DA NOTÍCIA
Estudo do Reglab encomendado pela OpenAI estima que a inteligência artificial pode adicionar R$ 986,7 bilhões ao PIB do Brasil entre 2027 e 2030; veja setores, riscos e o que muda para o trabalhador.
ÍNDICE

O levantamento foi apresentado na quarta-feira, 13 de agosto, e usa a metodologia de um artigo do economista Daron Acemoglu, ganhador do Nobel, sobre o impacto da IA nos Estados Unidos, adaptada à realidade brasileira com base na pesquisa do IBGE sobre ocupações. O estudo separa os ganhos em dois canais: o aumento da produtividade dos trabalhadores, responsável por 65% do impacto, e a maior eficiência de máquinas, equipamentos e estruturas produtivas, que responde pelos outros 35%. A conclusão central é que a IA não substitui a economia brasileira — ela acelera o que o Brasil já produz.

Setores que mais ganham com a IA

Os benefícios, porém, são distribuídos de forma desigual entre os setores. A indústria de transformação, que converte matérias-primas em novos produtos, concentra o maior ganho potencial: 264,2 bilhões de reais. Na sequência aparecem os serviços, com 165,4 bilhões, e o comércio, com 131,2 bilhões. Nas atividades financeiras, 87% do impacto viria do trabalho: bancos, seguradoras e gestoras poderiam usar a tecnologia para revisar documentos, avaliar riscos e atender clientes com mais rapidez. Já na agropecuária, o cenário se inverte: 92% do ganho estimado, de 48,2 bilhões, dependeria de máquinas inteligentes, drones e sensores no campo.

O que o estudo diz para o trabalhador

Para o trabalhador brasileiro, o estudo traz uma leitura animadora: o impacto médio de 0,69 ponto porcentual ao ano equivale a um quarto ou até um terço de todo o crescimento projetado para a economia no período. Os pesquisadores comparam o efeito a uma safra recorde no agronegócio — só que repetida todos os anos, por quatro anos seguidos. Como a pesquisa analisa tarefas e não profissões, ela não prevê extinção de cargos, mas sim a automatização de rotinas mecânicas, como transcrição de relatórios e organização de documentos, liberando tempo para atividades de maior valor.

Obstáculos para a adoção no Brasil

O estudo também aponta os obstáculos. O Brasil hoje adota inteligência artificial no ritmo que os Estados Unidos tinham há dois anos, segundo o diretor-executivo do Reglab, Pedro Henrique Ramos, por causa do crédito caro, das diferenças entre empresas e das lacunas de qualificação. Até 2030, o modelo estima que apenas 66,6% do potencial ligado ao trabalho e 62,4% do potencial ligado ao capital serão aproveitados. Os próprios autores classificam os números como conservadores: novas profissões, como engenheiro de prompt e especialista em vibe coding, nem existiam quando os modelos foram desenhados.

O contraponto da bolha tecnológica

O contraponto chegou no mesmo dia em que o estudo foi divulgado: na quinta-feira, 14 de agosto, a imprensa internacional repercutiu o colapso de um fundo de hedge americano especializado em IA, que faliu após apostas alavancadas em ações de tecnologia darem errado, e economistas voltaram a alertar para o risco de uma bolha no setor. Para o Brasil, a leitura é dupla: a oportunidade é real e mensurável, mas depende de condições estruturais — requalificação profissional, internet no campo, marco regulatório previsível e uso da tecnologia nos serviços públicos — para sair do papel.

A janela de 2027 a 2030

O estudo do Reglab encomendado pela OpenAI é mais um sinal de que a inteligência artificial deixou de ser pauta de futuro para virar tema de orçamento e planejamento econômico. Para empresas e governos brasileiros, a janela de 2027 a 2030 é o período em que as decisões de adoção da tecnologia vão definir quem captura esses quase 1 trilhão de reais em ganhos — e quem fica de fora. A Nova Top Net segue acompanhando o impacto da inteligência artificial na economia do Brasil e trará novos dados assim que os estudos oficiais forem atualizados.

Perguntas frequentes

Quanto a IA pode adicionar ao PIB do Brasil?

O estudo do Reglab, encomendado pela OpenAI, estima ganhos de até 986,7 bilhões de reais entre 2027 e 2030, o equivalente a cerca de 7,6% do PIB previsto para 2026.

Quais setores mais ganham com a IA?

A indústria de transformação lidera, com 264,2 bilhões de reais, seguida pelos serviços, com 165,4 bilhões, e pelo comércio, com 131,2 bilhões. O setor financeiro ganha mais pela produtividade dos trabalhadores, enquanto a agropecuária depende de máquinas e drones.

A IA vai tirar empregos no Brasil?

O estudo não prevê extinção de profissões, porque analisa tarefas, e não cargos. A estimativa é que a tecnologia automatize rotinas mecânicas e libere tempo dos trabalhadores para atividades de maior valor, com 65% do impacto vindo do aumento de produtividade.

Por que o Brasil demora mais para adotar IA?

Segundo o Reglab, o país adota a tecnologia no ritmo que os Estados Unidos tinham há dois anos. Os principais obstáculos são o custo elevado do crédito, as diferenças entre empresas e as lacunas de qualificação profissional e infraestrutura.

O que o estudo recomenda?

Entre as medidas estão a requalificação profissional de trabalhadores em atividades com maior risco de substituição, a expansão da internet no campo, incentivos à adoção da IA em empresas menores, um marco regulatório previsível e o uso da tecnologia nos serviços públicos.

Badge da categoria Tecnologia com foto real de data center e o estudo sobre o impacto da inteligencia artificial no PIB do Brasil

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