Focus: mercado reduz projeção da inflação para 5,02% e prevê selic em 13,75%

O mercado financeiro reduziu, pela sexta semana consecutiva, a projeção para a inflação de 2026. Segundo o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, dia 10 de agosto, os analistas agora esperam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano em 5,02%. É a menor expectativa desde maio, mas ainda acima do teto da meta, de 4,5%.

ÍNDICE

O movimento vem acompanhado da aposta em mais um corte da taxa Selic. O mercado prevê que o Banco Central reduza os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, levando a taxa básica de 14% para 13,75% ao ano. Seria o quinto corte consecutivo do atual ciclo de calibração da política monetária, que começou em março, quando a Selic estava em 15%.

Na semana passada, o Copom, o Comitê de Política Monetária, confirmou o quarto corte seguido, de 0,25 ponto, reduzindo a Selic de 14,25% para 14% ao ano. No comunicado, o comitê citou a moderação gradual da atividade econômica e a desaceleração da inflação, mas reforçou a cautela por causa das incertezas externas, especialmente o conflito no Oriente Médio.

Os dados recentes reforçam o cenário de desaceleração dos preços. A projeção para a inflação de julho recuou para 0,07%, o que seria a quarta desaceleração consecutiva do IPCA. Para agosto, os analistas preveem até uma deflação de 0,17%, puxada pelo abatimento do chamado Bônus de Itaipu nas contas de luz. O índice oficial de julho será divulgado pelo IBGE nesta terça-feira, dia 11.

Para os próximos anos, as expectativas seguem estáveis: 4,22% em 2027, 3,80% em 2028 e 3,50% em 2029. Já a Selic deve encerrar 2027 em 12%, 2028 em 10,5% e 2029 em 10% ao ano, segundo a mediana das projeções do mercado.

Na prática, o que isso significa para o bolso do brasileiro? Juros menores tendem a baratear o crédito e o financiamento, além de estimular o consumo e os investimentos. Por outro lado, a inflação ainda acima da meta pressiona o custo de vida, especialmente de alimentos e combustíveis. O cenário de juros em queda gradual, combinado com inflação desacelerando, cria condições para uma retomada mais sólida da economia, mas exige acompanhamento, especialmente em ano eleitoral.

Projeções do mercado para os próximos anos

Selic
2026: 13,75%
2027: 12,00%
2028: 10,50%

IPCA
2026: 5,02%
2027: 4,22%
2028: 3,80%

Meta
Centro: 3,00%
Teto: 4,50%
Piso: 1,50%

Vale lembrar que a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O próximo Copom está marcado para meados de setembro, e a decisão sobre o novo corte será tomada com base nos dados de inflação e atividade que saírem até lá. O ciclo de cortes iniciado em março já reduziu os juros em um ponto percentual, e a expectativa é que a trajetória de queda continue de forma gradual, sempre de olho nos impactos do cenário internacional sobre os preços no Brasil.

Perguntas frequentes sobre juros e inflação

Qual a projeção de inflação para 2026?

O boletim Focus indica IPCA de 5,02% em 2026, a menor expectativa desde maio, mas ainda acima do teto da meta, de 4,5%.

Quando será o próximo corte da Selic?

O mercado espera redução de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de setembro, levando a Selic de 14% para 13,75%.

O que é o Bônus de Itaipu?

É o abatimento na conta de luz decorrente da usina de Itaipu, que deve puxar uma deflação de 0,17% no IPCA de agosto.

Juros menores ajudam o consumidor?

Sim. Com a Selic em queda, o crédito e os financiamentos tendem a ficar mais baratos, estimulando o consumo e os investimentos.

Imagem final com badge da categoria Economia sobre o relatório Focus e a Selic

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