O futebol mundial vive uma das maiores crises institucionais das últimas décadas. UEFA, CONCACAF e AFC, as confederações da Europa, das Américas do Norte e Central e da Ásia, ameaçam abandonar a FIFA caso o presidente Gianni Infantino não aceite discutir mudanças profundas na entidade. A informação, divulgada nesta quarta-feira, 12 de agosto, pelo jornal britânico The Guardian, foi confirmada por dirigentes das três confederações.
O estopim da crise foi o projeto chamado FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária que abriria a Copa do Mundo a investimento privado, com potencial de levantar bilhões de dólares. O plano foi anunciado e recuado em poucos dias por causa da rejeição quase unânime, mas deixou marcas: as confederações afirmam que houve quebra de confiança, falta de transparência e uma tentativa de concentrar poder nas mãos de um único dirigente.
Na segunda-feira, 10 de agosto, as três confederações divulgaram uma nota conjunta dura, dizendo que o futebol não pertence a nenhum indivíduo e que o crescimento do esporte foi fruto do esforço coletivo, não de uma pessoa. A UEFA, aliás, defende abertamente a renúncia de Infantino, e nomes como o canadense Victor Montagliani, presidente da CONCACAF, já são cotados para uma candidatura rival.
O próximo passo das confederações é apresentar um documento ao próprio Infantino com propostas de reforma da FIFA. Se ele recusar discutir, o documento pode se tornar a base para a criação de um organismo alternativo, o que significaria uma ruptura histórica no futebol internacional. Reuniões decisivas devem acontecer ainda esta semana, durante a Supertaça Europeia, em Salzburgo, na Áustria.
Para o futebol brasileiro, a crise tem impacto direto. A CBF é filiada à Conmebol, que até agora apoia Infantino, mas a eleição presidencial da FIFA está marcada para março de 2027, e o prazo para registro de candidaturas termina em setembro próximo. Uma mudança de comando pode alterar o calendário de competições, a distribuição de receitas e até os projetos de expansão da Copa do Mundo.
Analistas apontam que o cenário tornou possível o que parecia improvável há poucos meses: uma oposição com chances reais de vencer Infantino. As confederações europeia, norte-americana e asiática somam peso político e financeiro enorme, e a ameaça de saída, ainda que drástica, funciona como instrumento de pressão máxima sobre a atual gestão da FIFA.
A Nova Top Net acompanha o desenrolar dessa crise que pode mudar a estrutura do futebol mundial. O desfecho depende das reuniões das próximas semanas, e o que está em jogo vai muito além de uma cadeira: é a forma como o esporte mais popular do planeta será governado daqui para frente.
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