A briga entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro deixou de ser um desentendimento familiar e se transformou em uma crise política de grandes proporções. A ex-primeira-dama anunciou sua saída da presidência do PL Mulher no último dia 30 de junho, após se sentir desrespeitada pelo enteado durante uma ligação telefônica. O episódio expôs rachaduras profundas na estratégia da direita para as eleições presidenciais de 2026.
De acordo com relatos de aliados, Michelle teria sido tratada de forma ríspida por Flávio após criticar a aliança do Partido Liberal com Ciro Gomes no Ceará. “Você chegou ontem na política e não entende nada do assunto”, teria dito o senador, segundo fontes próximas à família Bolsonaro. A frase teria sido o estopim para a decisão de Michelle de deixar o comando do PL Mulher.
A crise não poderia vir em pior momento para Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto. Pesquisas recentes do BTG Pactual em parceria com a Nexus mostram que a rejeição ao senador subiu de 50% para 52% nas últimas três semanas. Entre as mulheres, o cenário é ainda mais preocupante para a campanha: 56% das eleitoras dizem que não votariam em Flávio de jeito nenhum.
O estrago eleitoral já aparece nos números das pesquisas. Lula ampliou a vantagem sobre Flávio Bolsonaro de 1 para 9 pontos percentuais em apenas 20 dias, segundo levantamento do BTG e da Nexus divulgado nesta semana. Entre as mulheres, o presidente abre 20 pontos de vantagem. Entre os evangélicos, o apoio ao candidato do PL caiu de 65% para 51% desde o escândalo do caso Vorcaro, que também envolve o nome do senador.
A saída de Michelle do PL Mulher representa um golpe simbólico e prático para a campanha de Flávio Bolsonaro. Ela tinha forte penetração entre mulheres evangélicas e bolsonaristas convictas, exatamente o público que o senador mais precisa reconquistar para ter chances no pleito de outubro. O partido agora corre para conter os danos e busca uma vice feminina que possa equilibrar a chapa presidencial.
Na nota de renúncia ao PL Mulher, Michelle afirmou que vai se dedicar integralmente aos cuidados do marido, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser preso preventivamente em novembro de 2025, e da filha Laura. “Preciso estar presente para minha família neste momento difícil”, escreveu a ex-primeira-dama em suas redes sociais.
Aliados interpretam a decisão como um recado político claro: sem o protagonismo que Michelle desejava dentro do partido, ela prefere se afastar a continuar exercendo um papel secundário na sigla. A ex-primeira-dama vinha sendo uma das principais articuladoras do PL junto ao eleitorado feminino e evangélico desde que assumiu a presidência do PL Mulher em 2023.
Enquanto isso, o Senado aprovou o uso de spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres, e o Supremo Tribunal Federal se prepara para definir o relator do caso Vorcaro, que pode trazer novos desdobramentos para a campanha de Flávio. As convenções partidárias começam neste mês de julho, e o tabuleiro político para as eleições de 2026 promete ainda muitas reviravoltas. Brasília, Distrito Federal, acompanha atenta cada movimento dos protagonistas dessa crise que pode redefinir os rumos da sucessão presidencial.
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