Imagens de câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo revelaram o momento em que dois PMs executaram o eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos, com sete tiros durante uma ocorrência no Jardim Pirituba, na Zona Norte da capital paulista. O caso ocorreu no dia 29 de abril, mas as imagens só foram divulgadas agora pela TV Globo e pelo portal G1, causando grande comoção em todo o país.
Segundo as investigações, Igor dirigia um carro pela Avenida Raimundo Pereira de Magalhães quando parou em um semáforo vermelho. Ele desceu do veículo segurando uma faca e correu em direção a um motociclista que também aguardava no farol, após uma briga de trânsito. O motociclista fugiu até um posto de combustíveis e pediu ajuda a dois PMs que estavam com a viatura estacionada no local. As câmeras corporais registraram o cabo Cauan Alencar Bastos dizendo “eu vou matar ele, eu vou dar tiro” antes de descer da viatura e efetuar seis disparos. O soldado José Otávio Pinheiro também atirou uma vez. As imagens de segurança mostram que Igor estava colocando a faca no chão no momento dos disparos, contradizendo a versão dos policiais de que ele teria avançado contra a equipe.
Após os disparos, as câmeras flagraram uma cena estarrecedora: o cabo Cauan se aproximou da vítima e implorou para que ela não morresse. “Pelo amor de Deus, não morre, não, mano. Fica vivo, respira. Por favor, irmão, respira”, diz o policial com a voz embargada. Em seguida, ele se afastou até a viatura e rezou o Pai Nosso por cerca de 20 segundos. Em um áudio enviado à esposa, o PM afirmou: “Não posso falar agora porque eu acabei de disparar em um maluco. Ele está morrendo, essa é a verdade, infelizmente”. A sequência de imagens levanta graves questionamentos sobre o preparo técnico e psicológico dos policiais militares em São Paulo.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os dois policiais foram afastados do serviço operacional e são investigados em um Inquérito Policial Militar no 18º Batalhão da PM, com acompanhamento da Corregedoria. O caso também é apurado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo familiares, Igor fazia uso de medicamentos controlados para tratar esquizofrenia e trabalhava como eletricista e encanador. A Ouvidoria da Polícia classificou o episódio como “indignante” e destacou a importância das câmeras operacionais portáteis (COPs) para o esclarecimento dos fatos.
Organizações de direitos humanos cobram a prisão imediata dos policiais envolvidos e uma reforma profunda nos protocolos de abordagem da Polícia Militar paulista. O caso repercutiu internacionalmente e reacendeu o debate sobre a violência policial no Brasil. Segundo reportagem do G1 e da TV Globo, a família de Igor aguarda justiça enquanto as investigações seguem em andamento. A Corregedoria da PM afirmou que não compactua com desvios de conduta e que todas as imagens estão sendo analisadas para a adoção das medidas cabíveis.

















