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Monte você mesmo seu R/C elétrico?

Salve, amigos modelistas. Ou, no caso de hoje, um salve àqueles que querem tornar-se modelistas!

Nesse artigo, vou mostrar o que você precisa para entrar no mundo do R/C elétrico. Cada peça, cada tipo de componente, cada opção de acordo com o tipo de condução desejado, tudo vai ser apresentado aqui. Claro, não me julgo um expert nesse assunto, mas através de pesquisas vou procurar as informações mais confiáveis para passar para vocês.

– um breve conselho:

Primeiramente, sou obrigado a dar um conselho à vocês. É uma opinião de quem começou há pouco no automodelismo, mas acredito que comecei da forma certa. E o conselho é: COMECE POR UM MODELO RTR (Ready-to-run). Os modelos RTR vêm completos, com todos os componentes que você precisa para começar no hobby, e são ligeiramente mais baratos. Rádio, bateria, parte elétrica, está tudo ali… só precisa dar uma carga na bateria (em 99% dos casos o carregador está incluso no kit RTR) e sair andando. É menos dor de cabeça, você começa de cara, e ainda pode dar uns ups no modelo, conforme for vendo necessidade. Bateria LiPo, ESC de alta performance, motor mais potente, servo mais rápido… tudo pode ser substituído.

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– escolha o estilo:

Antes de iniciar as pesquisas para saber qual modelo comprar, pense no que você quer fazer, e nos locais onde se pode praticar o hobby na sua cidade. Se você não dispõe de uma pista específica para automodelismo na sua cidade, procure por amplas áreas sem movimento intenso de veículos, com piso asfaltado, como um estacionamento de supermercado, por exemplo. É a locação perfeita para quem quer um modelo on-road. Se você mora em um local com amplos espaços abertos, com variação entre terrenos acidentados e relativamente planos, mas sem asfalto, pense no off-road. Mas se você não tem essas opções, e só conhece um monte de entulho no terreno ao lado da sua casa, o ideal é procurar um modelo para rock crawling. SEMPRE leve em consideração que não basta ter o modelo, é preciso ter onde praticar. Imagine ter uma bola de basquete, mas não ter sequer um pequeno pátio com uma cesta para brincar de vez em quando.

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– procure opiniões sobre o produto:

Antes de iniciar no automodelismo, eu pesquisei a fundo o que estava disponível para comprar. Primeiro encontrei uma loja em Ciudad del Este, no Paraguai, que vende artigos de modelismo. Em seguida, percorri o catálogo online deles e fiz uma lista de modelos baseado no tamanho, preço e estilo desejado. Feito isso, peguei cada item dessa lista e fui prá internet procurar reviews e vídeos sobre os modelos. O meu primeiro modelo foi um Monster Truck Mastadon escala 1/18, da Himoto. Decidi comprar esse modelo pois eu queria um off-road simples, mas durável, e o vídeo do review da versão brushless RTR do canal UltimateRC (vídeo aqui) me convenceu. Escolher bem o modelo garante metade da diversão.

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– não quero um RTR, quero fazer tudo por partes. Como proceder?

Se você já tem experiência com mecânica e eletrônica, não há mal algum em começar no modelismo escolhendo componentes avulsos. Aconselho começar pelo chassi, que é a base de tudo. Procure optar por chassis que sejam versáteis. Vários modelos compartilham um único chassi, dependendo da marca. Por exemplo, os modelos da Traxxas escala 1/16 dividem o mesmo chassi, com alterações na suspensão e em alguns eletrônicos. Assim, o Mini E-Revo 1/16 usa o mesmo chassi do Traxxas Rally 1/16 VXL e no Traxxas Mini Summit 1/16. Com um chassi versátil, em menos de 30 minutos, você pode trocar o estilo de on-road para off-road.

– o chassi:

Ao comprar o chassi, leve em conta o que você deseja. Como dito acima, um chassi versátil é muito bom, mas se você sabe o que quer, e não pretende se enveredar por outros estilos, um chassi específico é melhor. Ao escolher a marca, prefira as que têm mais peças de reposição disponíveis. Apesar de não serem os melhores, por exemplo, os chassis da HSP são idênticos aos da Exceed, da Himoto, da Iron Track… ou seja, para pelo menos uma dessas marcas existem peças de reposição em qualquer lugar. Já marcas mais conhecidas, como HPI, Traxxas, Kyosho e Tamiya têm grande disponibilidade de peças específicas para seus modelos. Mas se você quer um modelo versátil, fuja dessas marcas. A não ser que você consiga comprar as peças específicas para cada modelo, o que normalmente é muito mais caro e problemático do que ter dois modelos diferentes. Afinal, transformar um Tamiya TT-01 em um modelo off-road é uma tarefa complicada.

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– o motor:

Vai pisar fundo e quer velocidade? Vai andar com calma e sobre pedras? Bom, o momento de escolher o motor é um dos mais delicados. Dentro das limitações de cada chassi, além das diferenças óbvias entre cada motor para a escala indicada, temos que levar em conta o tipo de condução que se vai praticar. Motores escovados (brushed, ou “bred”) têm torque mais elevado e menor velocidade final do que motores não-escovados (brushless, ou “brless”). Porém os bred têm menor vida útil, exatamente pela ação da dita escova. O atrito que ela exerce pode desgastar o carvão, e levar o seu motor ao fim de seus dias muito mais cedo. Especialmente se você forçar demais a rotação. Além do tipo de motor, temos que pensar na relação coroa-pinhão, que vai determinar quantas revoluções do motor darão tantas revoluções do pneu. Uma relação mais curta (coroa maior e pinhão menor) proporciona menor velocidade final, mas mais torque. A relação mais longa (coroa menor, pinhão maior) proporciona mais velocidade. Sempre lembrando que, quanto mais curta a relação, mais exigido vai ser o motor, e mais quente ele vai ficar. Este é outro fator importantíssimo, a temperatura. Não só no motor, mas em qualquer componente. Uma temperatura muito alta, além de diminuir a vida útil, pode chegar a derreter componentes. Motores brless operam tranquilamente a 50~60º centígrados. Os bred alcançam temperaturas mais altas, por conta do atrito, mas não devem passar de 75~80º.

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– o ESC:

O Electronic Speed Control, ou ESC é o cérebro do carro. Controla a voltagem a ser distribuída aos outros componentes. São classificados de acordo com a corrente máxima de operação, medida em Ampéres, ou Ah. Para deixar o mais simples possível, vou me ater aos tipos básicos de ESC’s, que são os específicos para motores brled e brless, com ou sem sensor, com ou sem BEC (Battery eliminator circuit, ou circuito eliminador de baterias). Ao comprar o ESC, leve em conta o tipo de motor usado, pois um ESC específico para motores brless não são compatíveis com motores bred. Prefira os modelos com BEC, sem ele fica muito perigoso usar baterias de LiPo, uma vez que devemos observar a voltagem mínima dessas baterias. A questão do sensor, que também envolve os motores, é específica dos brless, e determina o nível de trepidação quando se começa a acelerar. Para modelos que vão sempre andar a altas velocidades, o sensor não é necessário, embora útil se você for “manobrar” o modelo. Na minha opinião, é questão de preferência. O BEC é importante, pois corta a alimentação de acordo com a voltagem da bateria. Para alguns modelos é programável, o que é excelente.

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– o rádio (transmissor e receptor, ou TX/RX):

Ao escolher o rádio, tenha em mente que você vai precisar de tantos canais quantas funções tiver no modelo. Rádios básicos, de 2 canais vão somente prover aceleração, freio e ré em um canal e esterço no outro. Para modelos mais avançados, com sistema de luzes ou mais marchas, ou mesmo como sistema de bloqueio remoto de diferenciais, vai ser necessário um rádio com mais canais. Os modelos chamados “pistola”, com acionamento do esterço por um pequeno volante no controle, vão até 5 canais, como o Traxxas TQi, que tem inclusive um ponto de fixação para iPod Touch e iPhone, com telemetria e ajustes que permitem que se tire o máximo proveito do modelo. Acima de 5 canais, já temos os transmissores de manche, como nos aeromodelos. O mais importante, entretanto, não é o número de canais, e sim a frequência de operação. O recomentado hoje é o sistema de 2.4GHz, em substituição ao de 27MHz, tanto pela questão de interferência (no sistema 2.4GHz, pode-se operar mais de 30 modelos simultaneamente, sem interferência) quanto na distância de operação (os modelos 27MHz operam em uma média de 50 a 100 metros, já os modelos 2.4 GHz operam a distâncias acima de 400 metros). Controles extras, como dual rate para cada canal e inpoints para programação de exponencial também são preferíveis, embora não essenciais.

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– rodas e pneus:

Tenha em mente que um pneu pode definir inteiramente a dirigibilidade do modelo. E temos alguns aspectos importantes quando falamos de pneus. Nos modelos off-road, temos que considerar o padrão (ranhuras, garradeiras, etc), o composto da borracha (mais macio ou mais duro), o tipo de preenchimento (espuma firme, espuma macia ou vazio), largura da banda e diâmetro total. Nos modelos on-road, o importante é o composto da borracha, a largura da banda e o diâmetro. Os pneus para crawling, por exemplo, têm espuma super macia ou ausente, composto da borracha extremamente macio (quanto mais “grudar”, melhor) e padrão muito agressivo. Já pneus para drift são muito duros (usa-se até mesmo eletrodutos cortados na largura da roda), sem preenchimento e lisos, sem padrão (quando há, é muito discreto, apenas para aparência). Outro ponto, com relação às rodas, é a medida dos hexagonais, pequenas peças da suspensão que transmitem a força para a roda). Modelos mais básicos têm hex plásticos, com opção de upgrade para os de alumínio. Ainda, cuidado com a medida dos hex, o padrão é 12mm, mas existem vários tamanhos diferentes.

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10º: bolha:

A bolha, que dá a identidade ao modelo, deve obedecer a escala correta. Para modelos 1/10, bolhas 1/10. É possível, entretanto, usar bolhas de escala diferente da do modelo, com adaptações. Mas para começar, não recomendo. O que recomendo são as bolhas fabricadas em Lexan ou policarbonato. As primeiras são mais difíceis de encontrar, mas mais leves e maleáveis. As últimas são mais comuns e mais baratas. Bolhas normalmente vêm sem pintura, transparentes. Se optar por esse tipo, a fim de personalizar a pintura de sua preferência, tenha em mente algumas observações: Use tintas próprias para o material; Dê especial atenção ao isolamento de áreas com cores diferentes, ou que se quer deixar transparentes; Assista a tutoriais no YouTube sobre como pintar a sua bolha. Na verdade, o recomendado é usar bolhas pré-pintadas e, com o tempo, personalizá-las.

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É isso. Sabendo dessas informações, você já pode se aventurar pelo mercado dos automodelos RC’s e ir comprando o que melhor se encaixe ao seu estilo. Sempre tenha em mente que, ao montar o seu modelo, você pode precisar de ajuda de especialistas, não só modelistas, mas principalmente técnicos em eletrônica, na hora de soldar fios, fazer conexões, escolher o melhor ipo de plug para cada coisa…

Futuramente, com mais experiência nesse campo, quero escrever artigos específicos sobre cada componente. Aguardem!